Grávidas no Haiti

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Texto Luciana Benatti    Fotos Marcelo Min

Do lado de fora de uma quadra de esportes em Porto Príncipe, grávidas aguardam em fila a distribuição de leite feita por soldados da Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Só as mulheres recebem alimentos, uma forma de garantir que a comida chegue até as crianças.

Registrada no final de agosto do ano passado, quase cinco meses antes do terremoto que devastou o Haiti, a cena é um retrato da situação de extrema pobreza do país, agravada desde os acontecimentos da semana passada.

No atual cenário de destruição, a situação das mulheres haitianas é ainda mais preocupante. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) estima em 37 mil o número de grávidas entre a população afetada. E teme que a taxa de mortalidade materna que já era alta –  670 mortes por 100 mil nascidos vivos – dispare em consequência das precárias condições de atendimento à saúde no país depois do terremoto.

Por falta de alternativa, muitas mulheres estão dando à luz sem assistência adequada e sem as mínimas condições de higiene. No último sábado, duas cesáreas e dois partos normais foram feitos num banco de parque, ao ar livre, pelos médicos do hospitale Geral, o mario da cidade, segundo relata o representante do UNFPA.

O Fundo está enviando kits de saúde reprodutiva, com medicamentos e equipamentos essenciais para o atendimento às gestantes.

“A saúde da comunidade em geral e a sua capacidade de absorver e se recuperar de um desastre dessa magnitude dependem em grande medida do bem estar das mulheres”, disse Jemilah Mahmood,  chefe do Serviço Humanitário da UNFPA. “Cuidar das necessidades das mulheres também os ajudará a cuidar das necessidades dos outros em suas famílias e comunidades.”

Conheça abaixo um pouco do cotidiano de mães e crianças em Porto Príncipe antes do terremoto no ensaio fotográfico realizado por Marcelo Min em setembro de 2009.

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Cesáreas desnecessárias

Não se deixe enganar. Embora muito alegadas pelos médicos, as condições abaixo NÃO são indicações de cesariana.

Por Melania Amorim, obstetra.

1. Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas, e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
2. Pressão alta
3. Pressão baixa
4. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
5. Diagnóstico de desproporção céfalo-pélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
7. “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
8. Trabalho de parto prematuro
9. Grumos no líquido amniótico
10. Hemorróidas
11. HPV
12. Placenta grau III
13. Qualquer grau de placenta
14. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra que doppler em uma gravidez normal?)
15. Aceleração dos batimentos fetais
16. Cálculo renal
17. Dorso à direita
18. Baixa estatura materna
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
22. Bebê “grande demais”
23. Bebê “pequeno demais”
24. Cesárea anterior
25. Plaquetas baixas
26. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia e descolamento da retina
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado
29. “Falta de dilatação” antes do trabalho de parto
30. Gravidez super-desejada (motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal)
31. Gravidez não desejada
32. Idade materna “avançada” (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
33. Adolescência
34. Prolapso de valva mitral
35. Cardiopatia (o melhor parto para as cardiopatas é o vaginal)
36. Diabetes
37. Bacia “muito estreita”
38. Mioma uterino
39. Parto “prolongado” ou período expulsivo “prolongado” (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra)
40. “Pouco líquido”
41. Artéria umbilical única
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência no Rio de Janeiro
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida
45. Conização prévia do colo uterino
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino
47. Varizes na vagina
48. Constipação (prisão de ventre)
49. Excesso de líquido amniótico
50. Anemia
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas

Parto com Prazer recomenda
  • Cia das Mães
  • Dança Materna
  • http://www.cinematerna.org.br
  • http://www.maternidadeativa.com.br
  • http://www.partodoprincipio.com.br/
  • http://www.primaluz.com.br
  • Mamíferas
  • Projeto Acalanto
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