Luciana Benatti apresenta o livro Parto com Amor

May 15th, 2012 § 0 comments § permalink

Percebi que estava em trabalho de parto na livraria, lendo “Parto com Amor”

April 15th, 2012 § 1 comment § permalink

Relato de parto de Bruna Lima, de São Paulo

Tive uma gestação tranquila e sempre quis parto normal. Meu médico disse que o faria.
Desde a semana 37 já tinha um pouco de dilatação e a cada consulta ele fazia o exame de toque e cutucava um pouco o colo do útero para dar ajudar o processo.

Esperando para ser atendida na consulta da semana 39, escuto a secretária agendando um quarto para mim na maternidade. No consultório discuti com o médico, ele disse que era o procedimento, não poderia esperar mais de 40 semanas, o bebê poderia sofrer e morrer. Fui radical e disse a ele que, se não nos atendesse, minha filha nasceria pelo SUS. Ele então concordou em fazer o pós-datismo, mas eu assumiria todos os riscos.

Na véspera de completar 40 semanas – eu já tinha feito duas cardiotocografias –, era uma linda quinta-feira de sol, resolvi dar uma volta e espairecer. Meu marido estava trabalhando e fui ao cinema, sozinha.

Cheguei ao shopping Bourbon, nenhum dos filmes em cartaz me agradou e para passar o tempo, entrei na Livraria Cultura. Fui direto para a seção de gravidez. Quem sabe conseguiria resolver alguma dúvida ou ter algum esclarecimento para a minha situação?

Folheei alguns livros: guias sobre desenvolvimento fetal, saúde na gravidez e logo o seu estava em minhas mãos. Parto com Amor. Tudo o que eu queria.

Eu sou meio insegura, ficava com receio de algo sair errado e acabar na mesa de cirurgia. Eu queria muito passar pela experiência do parto normal. É o natural, mais saudável, rápido, a criança participa, a recuperação é ótima etc. E é lindo. Tive medo não da operação, ou de sentir dor, mas de ser ludibriada.

Sentei na poltrona da Cultura e comecei a ler. Os vários casos, cada um com um final diferente, mas todas as mulheres com um desejo e vontade em comum. Seguindo os exemplos do livro, pensei, de última hora, em largar o médico do convênio. Não tínhamos grana para pagar uma doula, não nos programamos para isso. Pensava naquela casa de parto da prefeitura.

E ali sentadinha, lendo as histórias de força, sinto uma dor na lombar e penso ser por causa do peso da barriga. Continuo a ler, interessada e concentradíssima, a dor volta. Continuo lendo, envolvida pelas histórias e completamente entregue ao livro. Sinto dor outra vez.

Resolvo contar no relógio. Intervalos de 20 minutos. De 16 minutos.

Entrei na cultura às 18h. Comecei a contar às 18h20. Acho que faço umas caras estranhas, porque dois funcionários da livraria vieram me perguntar se estava tudo bem.

Às 20h liguei para casa, avisei que voltaria a pé, iria me fazer bem. No caminho de volta, moro a uns 15 minutos a pé do shopping, telefono para o médico. Expliquei o que estava sentindo, ele disse que estava em trabalho de parto e me orientou a manter a calma, tomar um banho e ir para a maternidade.

Às 20h30 estava em casa. “Sem susto, mas chegou a hora” disse para meu marido.

Tomamos banho, colocamos as malas no carro e ele me disse para irmos quando eu estivesse pronta. Eram 21h.

Na escola onde eu trabalhava, ouvi muitas histórias de parto e, em uma delas, uma mulher, mãe de três filhos, cuja bolsa do primogênito estourou no táxi a caminho do hospital, me aconselhou a esperar o máximo de tempo possível em casa.

Liguei para o médico e menti: disse a ele que era alarme falso.

Meu marido e eu ficamos conversando. As contrações vinham e eu ficava de quatro na cama ou me pendurava na barra de exercícios no quintal, até passarem. Fiz, instintivamente, várias automassagens.

Pedi para ele olhar minha dilatação. Não era alarme falso. Já estava com uns dois ou três dedos.

Quando deu meia-noite, fomos para o hospital.

Às 00h15 estávamos no hospital, quantos papeis a serem preenchidos! Fiquei na enfermaria com a atendente. Logo na triagem disse que não queria anestesia, queria manter o controle sobre meu corpo e sobre as contrações. Já tinha chegado até ali sem anestesia, faltava pouco.

Não me lembro exatamente a que horas subi para a sala de parto. Foi tudo muito rápido e meio alucinante. Meu marido demorou a subir, a burocracia para dar entrada o segurou.

A enfermeira me acomodou na sala de parto e perguntou sobre a anestesia. Eu disse que não queria e aproveitei para pedir temperatura e luz ambiente mais aconchegantes. Ela sai e, se referindo a mim, diz para a colega de trabalho: “Ela é naturalista”.

Meu marido chega, o médico chega alguns minutos depois. Era 00h40 passada. As contrações estão bem fortes, o médico mede a dilatação e estoura a bolsa.

Mais alguns minutinhos e a pequena Anita estaria aqui, do lado de fora da barriga!

O médico me preparou e disse que ia tomar uma café, voltaria em alguns minutos. Nisso eu grito e ele volta no mesmo instante. Mais um grito. Levei o “pique” e no dia de 30 de setembro de 2011, na data prevista para o parto, às 02h08 a pequena Anita nasce linda, de olhos abertos olhando o mundo, e a colocam na sobre a minha barriga, olhando pra mim!

Que coincidência ler o livro, estar com ele em mãos, justo naquele momento! Com certeza ele me deu forças para seguir adiante e agir com coragem!

Agradeço a você e ao seu marido, Luciana. Que bela iniciativa para ilustrar e mostrar às mulheres e a esta nossa sociedade o que é normal e natural. E que para aquelas que assim desejam, pode ser possível sim.

Espero que tenha gostado do meu relato. Porque eu adorei minha história e seu livro, que faz parte dela também!

Um beijo,

Bruna Lima

Teste da Violência Obstétrica – Dia Internacional da Mulher – Blogagem Coletiva

March 8th, 2012 § 2 comments § permalink

Você sabe o que é violência obstétrica? Uma pesquisa recente, coordenada pelo sociólogo Gustavo Venturi mostrou que uma a cada quatro mulheres brasileiras diz ter vivido situações de violência no parto.
Uma em cada quatro. É um número chocante. Mostra que a a violência não é uma exceção, mas está incorporada à prática dos hospitais e maternidades brasileiros.
Não posso afirmar com o mesmo rigor científico que carateriza esse importante trabalho, mas tenho cá para mim que o número de mulheres que sofrem violência no parto é ainda maior. A questão é que, como muitas práticas violentas estão incorporadas à nossa cultura de parto, muitas mulheres não se percebem violentadas, acham que aquilo que passaram no nascimento de seus filhos “faz parte”, é “assim mesmo”.
Vou dar alguns exemplos: obrigar a gestante a parir deitada de costas com as pernas para cima não é um procedimento médico necessário, é violência! Cortar a vagina dela sem autorização, como procedimento rotineiro, é violência! Empurrar a barriga para o bebê sair é violência! Falar “Na hora de fazer foi bom, você não chorou, né?”, “Não grita se não o seu bebê nasce surdo” e tantas outras frases humilhantes que fazem parte do repertório básico de muitos profissionais de saúde, é violência! Dizer “Cuide das roupinhas e do quartinho do bebê e deixe que do parto cuido eu” (essa eu ouvi na minha primeira gestação e me levou a mudar de médico) é violência! E o ápice da violência, na minha opinião, é algo hoje tão banalizado, que passa completamente despercebido para boa parte da sociedade: as cesáreas sem indicação consistente impostas às mulheres de classe média e os partos normais cheios de intervenções dolorosas reservados às mulheres que dependem do sistema público de saúde.
Nesse cenário, parece que a nós mulheres que queremos ter filhos restam apenas duas opções, ambas ruins: o “corte por cima” da cesárea ou o “corte por baixo” da episiotomia de rotina, como bem observou a médica e pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, Simone Diniz. O que nos leva a perguntar: a quem interessa a “pessimização” do parto? Certamente que não é às mulheres e seus bebês…
Neste dia da mulher, gostaria de chamar a atenção de vocês leitoras para todas essas questões. E fazer um convite à reflexão. Pode ser que você também tenha sido vítima de violência obstétrica e ainda não tenha se dado conta disso. Que a sua experiência tão traumática de parto se deva não ao parto em si, mas aos procedimentos violentos aos quais você foi submetida. Faz sentido, não?
Para ajudar nessa reflexão, vale a pena responder com cuidado o questionário abaixo. Trata-se de um levantamento informal , preparado por maravilhosas mulheres à frente dos blogs Cientista Que Virou Mãe, Parto no Brasil e Mamíferas, que tem como objetivo colher dados sobre o tema, mobilizar as pessoas, problematizar a questão e levar esses resultados a uma instância que ajude a incluir, nos serviços oficiais de denúncia, a violência obstétrica como forma de violência contra a mulher.
Para terminar, quero contar que, apesar de minhas duas maravilhosas e transformadoras experiências de parto, que descrevo em detalhes no livro Parto com Amor, eu também fui vítima de violência obstétrica. Após o meu primeiro parto (natural, humanizado, na água) meu filho mais velho, que nasceu absolutamente bem e saudável, foi levado para um período de observação e só pude tê-lo de novo em meus braços NOVE horas depois, quando não me conformando mais com tamanha espera me levantei e fui buscá-lo no berçário, onde cheguei aos prantos. Isso aconteceu numa das mais conceituadas maternidades particulares de São Paulo. Uma violência que demorei a reconhecer como tal. E que me deixou marcas.

Luciana Benatti

Reflexões sobre a maternidade

February 27th, 2012 § 0 comments § permalink

Entrevista com a parteira Naoli Vinaver

February 14th, 2012 § 0 comments § permalink

Parteira mexicana Naolí Vinaver oferece cursos em Campinas em fevereiro

January 11th, 2012 § 0 comments § permalink

  • O parto pode ser, sim, um momento poderoso de transformação, alegria e prazer. Espero que este livro inspire muitas mulheres.- Gisele Bündchen

  • About Os autores

    Os autoresLuciana Benatti e Marcelo Min são jornalistas em São Paulo, onde colaboram regularmente com publicações da grande imprensa. Casados, têm dois filhos: Arthur e Pedro, nascidos de parto natural. Parto com Amor é seu primeiro livro.